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julho 30, 2011

Discordo da actuação de Thomas Kremser face a esta chico-espertice no EPT Grand Final


Esta posta estava em rascunhos há mais de uma semana, prevendo alguma altura complicada que esta vida é inclemente e não há cabeça que dê para tudo. Mas como outro blogue decidiu publicar esta situação hoje, e fez muito bem, aqui fica a minha visão sobre o sucedido.

Avancem até ao minuto 8 e vejam a mão que despertou a polémica. O venezuelano Ivan Freitez, que se sagrou campeão da competição e facturou 1,5 milhões de euros (que incrível é este desporto onde um donk pode ficar milionário...), envereda pela chico-espertice de simular o "no speak english" para induzir o call e ganhar mais uma fichas com nuts no river.

O director Thomas Kremser é chamado à mesa e, sem aplicar qualquer sanção ao venezuelano pela sua conduta anti-desportiva, decide partilhar a informação de que ele já tinha feito aquela manobra várias vezes durante o torneio, sempre com nuts. Assumindo assim influência directa na decisão do norte-americano Eugene Yanayt que, ainda assim, decide dar um call também ele horrível em face das circunstâncias.

A minha discordância dirige-se à organização e é simples de compreender: o director do torneio deve ser a garantia suprema de fair play e respeito pelo jogo nas mesas. Ao ser confrontado com essa situação, espera-se em primeiro lugar que emita uma determinação clara e rigorosa, neste caso obrigando exclusivamente ao mini-raise, e não que teça comentários que influenciem a conclusão da mão, onde os únicos intervenientes devem ser os jogadores e ponto final.

Concluída a jogada, dá-se o segundo erro grave: é inqualificável que Ivan Freitez, na fase decisiva de um evento de tamanha magnitude, não tenha sido sancionado com qualquer suspensão. Pelos contornos que se conhecem, nunca menos de duas órbitas. Por isso, acho que Thomas Kremser, ele próprio o responsável por sabermos que aquelas atitudes do venezuelano foram recorrentes, esteve mal e foi cúmplice de um atentado lesa-poker, validando um "angle-shooting" que se pretende banido das mesas. Daí que devesse deixar de lado o ar de enfado e ser mais assertivo nas penalizações, a menos que seja como os árbitros de futebol portugueses e por vezes deixe ficar os cartões no balneário...

Moral da história: o senhor Ivan Freitez, que nesta entrevista disse tudo sobre si próprio, andou pelo EPT Grand Final, em teoria o equivalente ao Main Event das WSOP como expoente máximo do poker em solo europeu, a infringir permanentemente as regras de conduta desde o arranque do torneio prejudicando outros jogadores, não sendo sancionado pela direcção do torneio em nenhum momento e chegando alegremente ao triunfo e ficando 1,5 milhões de euros mais rico. Lamentável em toda a linha.

PS: Este artigo sobre este mesmo assunto é de ler, sobretudo a parte final, onde ficamos a conhecer as ligações perigosas do senhor Freitez a... Hugo Chávez. É clicar aqui.