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fevereiro 09, 2011

Um inquérito lamentável


Os utilizadores do PokerPT.com receberam pela mailing list oficial daquele espaço uma comunicação propondo a participação num "Questionário sobre Jogo Online". Supostamente, trata-se de uma iniciativa no âmbito do Programa de Mestrado em Gestão do ISCTE, de um tal Rui Miguel Magalhães, sob orientação científica do Professor Doutor Henrique Lopes.

Sinceramente, e depois de ter preenchido a referida bateria de perguntas, apenas me ocorre um adjectivo: lamentável.

Não acredito que o PokerPT tenha decidido colaborar com este embuste tendo pleno conhecimento das perguntas que seriam colocadas aos utilizadores. Alguém pecou, certamente, por excessiva boa fé. Todavia, depois do triste episódio da SIC, todo o cuidado é pouco e exigia-se um pouco mais de zelo.

O printscreen em cima fala por si. As questões centram-se em todos os clichés associados ao Jogo Online, misturando uma vez mais, intencional e estupidamente, o poker com tudo o que são actividades de fortuna e azar. Em nenhum momento os "investigadores" colocam a possibilidade de um jogador, de poker, apostas desportivas ou lá o que seja, ser ganhador e recolher da sua actividade tanto benefícios materiais como... sociais.

Acho lícito que perguntem se o Jogo Online alguma vez nos causou problemas com a família, no trabalho e por aí fora. Mas quem está de boa fé devia, pelo menos, perguntar também se a prática de algumas vertentes do Jogo Online, nomeadamente o poker, reforçou a sua socialização, sentimento de integração num grupo e alargou a sua rede de contactos e amizades a uma escala impensável na vertente física. Nada disso. O estudo está orientado, como tantos outros, para o negativismo, colocando o foco nos tenebrosos malefícios.

E claro que vai dar os resultados que os autores pretendem alcançar. Repito o que escrevi em cima: lamentável. A Santa Casa e a Associação de Casinos não teriam feito melhor.

Nem de propósito, afirmei na entrevista ao DJ Rikardovsky no FutPoker FM que a Comunidade FutPoker é um verdadeiro Caso de Estudo pela forma como partiu de um interesse comum, neste caso o poker, para criar um sentimento quase de verdadeira Família. Este Desporto, e os Amigos que fiz, mudaram a minha Vida e fizeram de mim melhor Pessoa, mais Feliz, mais Realizado.

No ISCTE, porém, como em tantos outros areópagos, não querem saber disso.

Como se fossem ao Aposta Ganha ou ao Método Dinheiro propor um inquérito destes levavam de imediato uma desanda, lá se aproveitaram uma vez mais da boa vontade dos jogadores de poker que, acho que não me engano por muito, começam a estar fartos de ser repetidamente o saco de pancada mediático de quem pretende fazer estudos e reportagens sobre viciados em roletas, bingos ou slot machines. Isto, curiosamente, sem nunca se darem ao trabalho de fazer o mais fácil e óbvio: ir à porta dos casinos antes das portas abrirem e falar com as pessoas que se acotovelam para ir lá dar cabo dos seus rendimentos sem que nenhuma voz de se erga no sentido desses espaços serem banidos. Perigoso é apenas o Jogo Online... deve ser moda ou ficar mais chique para apresentar lá no Instituto.

Haja respeito pelo Poker e por quem o pratica como passatempo, o estuda ao pormenor ou utiliza como fonte de rendimento. Esses são uma imensa maioria que, pelos vistos, em Portugal, está condenada à proscrição.

Ass: Vítor Pinto aka Hooligato