Chama-se Leonel Angel Coira. É argentino, tem 7 anos e foi contratado pelo... Real Madrid. Sim, um menino de 7 anos da América do Sul vai mudar-se para a Europa em setembro devido aos caprichos de uma estrutura que está pouco se lixando com as consequências na vertente social e humana de um desenraízamento tão abrupto, mas sim obcecada em repetir com Coira o que o Barça conseguiu com Messi, ainda com uns bons anos a mais de idade. O que se percebe é que até crianças podem ser peões desta guerra insana entre clubes.
É importante salientar que a FIFA apenas autoriza transferências de menores de idade desde que os responsáveis legais também estejam radicados no mesmo país do clube contratante. Ou seja, é toda uma família que vai viver à sombra da ilusão de Coira, provavelmente com a mãe registada no serviços de emigração como cozinheira de Florentino Pérez e o pai motorista de José Mourinho. Temos bons exemplos nessa matéria em Portugal...
Nestas alturas, só me consigo lembrar de um miúdo chamado Alípio. Era a jóia da coroa do Rio Ave. Com 16 anos, augurava-se um futuro brilhante para um brasileiro que em Vila do Conde estava integrado socialmente e treinava com os seniores como se fosse gente grande. Só que tinha um tutor ligado a uma escola de futebol que servia de fachada a negócios empresariais e havia sido colocado a treinar às ordens de Carlos Brito pela Gestifute de Jorge Mendes.
Sem nunca ter atuado sequer pela equipa principal, foi transferido para Madrid por alguns milhões, o Rio Ave recebeu 600 mil euros por ser barriga de aluguer, o suposto tutor também teve o seu quinhão. Alípio, como infelizmente se adivinhava, nada rendeu sozinho em Espanha, viu-se envolvido em mais um negócio e veio parar à formação do Benfica e daí... já está no América de Natal. Se calhar um destino similar ao que teria tocado a um tal de Fábio Coentrão se, depois de o terem abandonado à sua sorte em Zaragoza, não tivesse sido o Rio Ave a recuperá-lo novamente para o futebol. Melhor sorte ao "pibe" Coira.